Chego agora da exposição Goeldi: Luz Noturna, na Caixa Cultural, lá na av. paulista. É verdade que hoje é o último dia da mostra, e que enrolei bastante até decidir, ou melhor, não resistir, visita-la.
meu interesse por Goeldi vem da faculdade, quando escrevi um texto sobre a animosidade dos objetos em suas xilogravuras. Aliás, antes disso, a própria técnica já me fascinava. Romper a madeiro, e com papel, carbono, tinta, colher, fazer nascer uma coisa nova que ainda assim é cópia de outra, ao contrário. É uma forma maravilhosa de se fazer história, de se narrar vida. O processo em si corresponde esteticamente ao que é proposto. Lindo.
A exposição esteve bem interessante. Uma série considerável de gravuras, dentre elas algumas emblemáticas, como Chuva e Pescadores. A maneira como estavam ordenadas, entretanto, não parece ter passado por qualquer crivo curatorial. Nada de linha temporal, até porque a maioria das gravuras não tem data; nem separação temática, se assim se pode chamar. bom, não deveria estar aqui criticando sem dar qualquer sugestão. Não sei como eu teria feito, mas, fiquei com a sensação de que alguma coisa estava faltando. Algum rastro de pensamento por trás do simples agrupamento de obras.
A solidão em Goeldi causa calafrios. Homens, mulheres, corpos fantasmagoricos, quase sem rostos, amontoados no centro da figura, esquecidos no cantinho, acompanhados de urubus, gatos, chapéus, postes, guarda-chuvas. Não há qualquer hierarquia. Indivíduos são coisas, e o inverso também é possível. Como o gravador Rubens Grilo sugere, em Goeldi o que temos é a pura impregnação de subjetividade.
Até o céu de Goeldi é ao contrário. A luz que emana da tinta negra, intensamente, como se fosse o infinito mesmo ali, cravado de pontos, traços, restos de branco para contar o passado de todos os tempos. E os sustos de cor? Provas sobre provas, os vermelhos, verdes, roxos e amarelos são soluços de energia em meio à suspensão anímica do artista.
Impressão em mim como sulco eterno de arte.
domingo, 20 de setembro de 2009
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