quarta-feira, 28 de outubro de 2009

outubro

no fim deste mês, prestes eu a completar mais um ano neste planeta de provas e expiações, decido:
se tem mais alguém por aí que precise conhecer, que seja logo. agora.

domingo, 20 de setembro de 2009

Goeldi

Chego agora da exposição Goeldi: Luz Noturna, na Caixa Cultural, lá na av. paulista. É verdade que hoje é o último dia da mostra, e que enrolei bastante até decidir, ou melhor, não resistir, visita-la.
meu interesse por Goeldi vem da faculdade, quando escrevi um texto sobre a animosidade dos objetos em suas xilogravuras. Aliás, antes disso, a própria técnica já me fascinava. Romper a madeiro, e com papel, carbono, tinta, colher, fazer nascer uma coisa nova que ainda assim é cópia de outra, ao contrário. É uma forma maravilhosa de se fazer história, de se narrar vida. O processo em si corresponde esteticamente ao que é proposto. Lindo.
A exposição esteve bem interessante. Uma série considerável de gravuras, dentre elas algumas emblemáticas, como Chuva e Pescadores. A maneira como estavam ordenadas, entretanto, não parece ter passado por qualquer crivo curatorial. Nada de linha temporal, até porque a maioria das gravuras não tem data; nem separação temática, se assim se pode chamar. bom, não deveria estar aqui criticando sem dar qualquer sugestão. Não sei como eu teria feito, mas, fiquei com a sensação de que alguma coisa estava faltando. Algum rastro de pensamento por trás do simples agrupamento de obras.

A solidão em Goeldi causa calafrios. Homens, mulheres, corpos fantasmagoricos, quase sem rostos, amontoados no centro da figura, esquecidos no cantinho, acompanhados de urubus, gatos, chapéus, postes, guarda-chuvas. Não há qualquer hierarquia. Indivíduos são coisas, e o inverso também é possível. Como o gravador Rubens Grilo sugere, em Goeldi o que temos é a pura impregnação de subjetividade.
Até o céu de Goeldi é ao contrário. A luz que emana da tinta negra, intensamente, como se fosse o infinito mesmo ali, cravado de pontos, traços, restos de branco para contar o passado de todos os tempos. E os sustos de cor? Provas sobre provas, os vermelhos, verdes, roxos e amarelos são soluços de energia em meio à suspensão anímica do artista.

Impressão em mim como sulco eterno de arte.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

para falar de morte.

morreu uma pessoa que conhecia desde sempre. nasci e ela já estava lá. há muito tempo, aliás. há tempo suficiente para aprender a calar a alma, a servir ao próximo. ela morreu sem conhecer seu corpo, sem conhecer outro corpo, sem conhecer um filho dentro da barriga. mas sendo mãe de gente que chegou sem querer em sua vida. ontem, quando soube que ela estava internada, chorei um pouco. sem saber bem a razão. hoje, com a notícia de sua partida, fiz o almoço, tomei um copo de suco e fumei um cigarro. o que significa fazer uma oração por que se vai? eu não sei. nunca soube entender muito bem isso de morte, isso de hoje estar e amanhã não estar mais, para nunca mais. deveria estar sofrendo?deveria estar aliviada?
áurea-elisa...

sente aqui e resolvi escrever um pouco sobre isso tudo, ou isso nada. conheço pessoas verborrágicas, me considero mesmo um pouco entre elas. uma forma terapêutica de lidar com as verossimilhanças da vida. uma necessidade egoísta de se fazer ver.

não que tenha alguém lendo isso. nunca disse para ninguém sobre o espaço construído em letras que se põe aqui. mas, se tiver alguém aí, alguém que eu não conheça, que não saiba quem sou, de onde vim, minha cor preferida; por favor, me fale de morte.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

outro.

Será que serão mensais as aparições de mim por aqui?
Não tenho visto muita arte por aí esses dias. Ouço música, aliás, muita música. Quem quiser me acompanhar, estão comigo Fela Kuti, Piazzola, Portishead, Nina Simone.
Assim não vejo, mas escuto. E nessa de escutar penso um pouco em quem ouve Hermeto, Sivuca, Luís Gonzaga. Penso em inocência, e ver arte fica um pouco mais difícil.
Tem aquilo do que a gente gosta, tem o que os outros gostam, tem o que a gente não gosta mas sabe que é bom. E aí? Por onde se vai?
Penso em quem mora na praia, penso em quem mora em Nova York.
Sou do Rio, estou em São Paulo, mas será que isso importa mesmo?
Defendendo o auto abandono, a dissecação do eu lírico, garanto que não deveria fazer a menor diferença meu nome de batismo ou a babá que me cuidou. E a realidade, onde fica? E Freud? Lacan? Jung?

Noite passada sonhei que falava com Deus. E... bom, Deus era Van Gogh frustrado por ter tido que parar de pintar para cuidar desse mundinho que, como diz meu pai, é um lugarzinho de provas e expiações. Mesmo assim fui com ele, com um Deus triste, quase rancoroso. Pegamos uma lachinha e partimos mar adentro. Vale dizer que Deus era um senhor de meia idade bem enxuto, bronzeado e exímio marinheiro!

Acordei rindo, feliz. Me deu até vontade de fazer alguma coisa. É claro que, para variar, não sei o quê... trabalhar, sim. Tem sido uma boa opção. Aliás, vou aproveitar e pedir uns conselhos por aqui: um trabalho que pode vir a ser uma carreira (bem sucedida??). O mestrado.... o dinheiro... a arte.... Uma bolsa do cnpq não cairia mal!

Falei com o Waltercio esses dias. Agora além de traço, ele é voz. A elegância é mantida. Mais uma coisinha para me fazer pensar nesse tal de indivíduo/artista. Faz arte de verdade quem mantem a postura da vida intacta? Arte de verdade... risos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O papel e eu

Abetura:
o nome deste blog foi escolhido a esmo no livro "Papel-máquina" de Jacques Derrida.

Desejo de se inscrever em si.

Falar de arte.
Como arte.
Em arte.

As visitas serão provavelmente parciomoniosas.
Sentirei saudades.
Tentarei ao máximo.

Para começar, o link de meu último texto publicado:
http://www.walterciocaldas.com.br/portu/depo2.asp?flg_Lingua=1&cod_Depoimento=17