morreu uma pessoa que conhecia desde sempre. nasci e ela já estava lá. há muito tempo, aliás. há tempo suficiente para aprender a calar a alma, a servir ao próximo. ela morreu sem conhecer seu corpo, sem conhecer outro corpo, sem conhecer um filho dentro da barriga. mas sendo mãe de gente que chegou sem querer em sua vida. ontem, quando soube que ela estava internada, chorei um pouco. sem saber bem a razão. hoje, com a notícia de sua partida, fiz o almoço, tomei um copo de suco e fumei um cigarro. o que significa fazer uma oração por que se vai? eu não sei. nunca soube entender muito bem isso de morte, isso de hoje estar e amanhã não estar mais, para nunca mais. deveria estar sofrendo?deveria estar aliviada?
áurea-elisa...
sente aqui e resolvi escrever um pouco sobre isso tudo, ou isso nada. conheço pessoas verborrágicas, me considero mesmo um pouco entre elas. uma forma terapêutica de lidar com as verossimilhanças da vida. uma necessidade egoísta de se fazer ver.
não que tenha alguém lendo isso. nunca disse para ninguém sobre o espaço construído em letras que se põe aqui. mas, se tiver alguém aí, alguém que eu não conheça, que não saiba quem sou, de onde vim, minha cor preferida; por favor, me fale de morte.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
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